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DESIGN - Espaço Negativo - O vazio

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Quando estudamos arte, e no nosso caso a arte do Bonsai, temos de ter em atenção que devemos de analisar a árvore como um conjunto, e não uma soma das suas partes. Quero com isto dizer que é interessante aprender as regras sobre um bom Nebari, construir um tronco sólido, e até criar uma excelente ramificação. Mas quando falamos em estética temos de pensar em sentido global. Por isso, vou continuar a falar de alguns conceitos estéticos, e optei pelo mais esquecido (porque não se vê na obra em si): O vazio, ou espaço negativo. "A beleza reside onde não há nada" Este proverbio japonês pode surpreender a nossa lógica, especialmente na mentalidade de um ocidental, que por norma parecemos ter medo ao vazio. Se repararmos, fazemos coleção de objetos em todas as divisões da nossa casa. Não podemos ver uma parede vazia que tencionamos colocar lá quadros, espelhos, etc, etc. Na nossa visão materialista sentimos algum desconforto pelo vazio. Contudo, o vazio não nos é alheio. representa...

Workshop com o Luís Vila 8-1-2022

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 No passado dia 8 de janeiro tive mais uma vez a oportunidade de participar num workshop com o conhecido Luís Vila. Desta vez voltei a trabalhar o meu par de juníperos, juntamente com o meu pinheiro literati.  Este último projeto teve 2 intervenções anteriores. A última tinha sido em Setembro, quando decidi reunir 2 amigos em minha casa.  Já nessa altura não estava nada satisfeito com o ápice, mas com a ajuda do Luís ficou bem melhor. Ficam aqui 2 fotos. Uma no inverno de 2019 e outra em Janeiro de 2022, depois da sua terceira intervenção. Contudo, a informação mais valiosa desse dia foi não ter mexido noutro Pinus Sylvestris. Parece estranho que assim o diga. Que o mais importante foi não ter feito nada. Mas assim é. O Luís indicou-me vários sintomas de falta de vigor, que me serão valiosos para poder avaliar se devo ou não devo avançar com os trabalhos. Para mim, estava tudo ok. Tinha quase 3 anos com esta árvore e bastante brotação. Mas para um olho mais atento faltava...

Pequenas dicas para criar bons Nebaris

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Para os aficionados do bonsai, o Nebari ( raiz que fica exposta ) é um dos componentes estéticos mais apreciados na hora de apreciar um Bonsai. O Nebari deve transmitir força e conicidade para coincidir com um tronco com semelhantes características. Se desejamos encorajar uma conexão visual com o solo, o Nebari é sempre a primeira etapa a contruir. Na hora de construir um bom Nebari devemos ter presente que existem 2 tipo de árvores: Aquelas em que as raizes se diferenciam umas das outras, e as que fusionam, criando uma massa contínua. No caso dos primeiros, as coníferas são os fiéis representantes, assim como os ulmeiros e zelkovas. No caso das árvores que fusionam as raízes, são os Acers o exemplo mais conhecido. Sabendo de antemão estas características, para criar um bonsai o mais realístico possível, devemos ter presente estes pormenores. A construção do Nebari requer uma boa dose de paciência na hora de transplantar. Devemos pensar que um transplante é uma ação que deve...

不完全さ As imperfeições de uma árvore... ou de um Homem.

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A árvore é um ser vivo, que por isso cresce e se transforma, e devemos estar atentos a essas mudanças procurando colaborar com ela para melhorá-la constantemente. E deve ser esse o nosso objetivo mais importante no mundo do Bonsai: Melhorar. As imperfeições ou as más qualidades de uma pequena árvore, que provavelmente nunca lhe permitirá ganhar prêmios importantes, não são características necessariamente negativas. Mas podem representar um estímulo e um compromisso de nossa parte em procurar o seu aprimoramento através de um cultivo cuidadoso, o que certamente o tornará mais interessante. Transformando o defeito numa característica única. Numa virtude ou objeto de destaque. Cada bonsai tem sua história e seu carácter, e o seu valor não pode ser calculado apenas por considerações técnicas e estéticas, pois o seu caminho se cruzou com o de um ser humano que cuidou dele. E avaliar algo que tem a ver com sentimento é extremamente difícil. Obviamente isto não pode ser desculpa para o de...

ESPINHEIRO - PRIMEIRAS INTERVENÇÕES

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Esta árvore veio para a minha colecção no ano 2018, graças a um Yamadori efetuado a meio de Fevereiro. Esteve em repouso durante todo o ano de 2018 e obteve um bom crescimento e recuperação. Contudo, cabe referir que na hora do yamadori, sedento de obter o maior número de espécimes, não fiz caso do nebari (raizes que ficam expostas), e que era uma autêntica desgraça. Honestamente, devemos ter mais precaução na hora de escolher as nossas árvores, pois viverão com muitos defeitos até a hora de algum de nós morrer (ou a árvore ou eu) No meu caso não foi propriamente por falta de habilidade, mas sim por avidez. Admito aqui o meu pecado! Optei por efetuar a primeira intervenção dado o vigor da mesma. Sabia que tinha muito trabalho pela frente e não queria perder tempo. Comecei por escolher um desenho para futuro. É o primeiro que temos de fazer, escolher o caminho a seguir.  Retirei o excesso de ramas e aramei-as. Dando-lhe  uma forma mais desejável para o meu projeto. Finalmente, ...

Matemática e Bonsai - Raiz Quadrada de 2

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Os números na arte sempre me fascinaram. Pois é o lugar onde a matemática e a beleza se encontram muitas vezes correlacionadas (Podem ver aqui um artigo sobre a  Regra dos terços ) Isto pode parecer estranho ao comum dos mortais, mas se soubessem quantas vezes estas se entrecruzam! Bem dizia Pitágoras que: "O número é a régua das formas e das ideias" Muito já se falou sobre a sequência de Fibonacci e a proporção áurea. Mas eu gosto de abarcar outras proporções, bem mais desconhecidas, mas não menos fantásticas. E já que falamos de Pitágoras, queria trazer a proporção existente na Raiz Quadrada de 2. Este simpático número irracional é o 1.414213...e deve ser bastante odiados por alguns nas suas classes de matemática. Existem muitas formas de encontrá-lo geometricamente. Um deles é a famosa "hipotenusa" de um triangulo isósceles, com lados de comprimento "1" E que tem isto a ver com Bonsai? Nem eu próprio sabia. E pesquisando pela internet, vi que não existe...

O Equilíbrio Visual (A Regra dos Terços)

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Como prometido, vou continuar a tese do equilíbrio visual dentro da composição bonsaística. Tinha elaborado uma introdução do equilíbrio visual aqui . Falei um pouco sobre a simetria e a assimetria. Desta vez vou alargar o espectro para uma regra muito usada na pintura e fotografia: A regra dos terços. Basicamente a regra dos terços é uma teoria de composição pictórica que se baseia na colocação dos pontos de interesse dentro de uma composição. Baseia-se numa simplificação da proporção áurea (que irei abordar mais em diante) Como a proporção áurea ainda é um bocado complexa, a maioria dos artistas usa esta regra, dado que é muito simples de usar e tem um efeito similar. Tomamos uma composição e a dividimos em terços, tanto horizontalmente como na vertical. imaginamos linhas que correm por onde devem encontrar-se os terços. Estas linhas se intersectam em 4 pontos, que poder ter bastante interesse (dentro do bonsai nem sempre são uteis estes pontos, mas não é demais referir que se podem ...

O equilíbrio visual (Ou procurando um centro)

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Depois de algum devaneio, decidi iniciar este projeto pelo blogger. Sinceramente o Facebook não é o método mais indicado para divulgar este projeto. dai, voltei a ideia do blog. Bem...mas prossigamos ao que interessa. O que me leva a escrever hoje é um assunto relevante na hora de trabalhar o desenho de qualquer árvore. E como o tema pode ser vasto, vou elaborar vários artigos sobre a utilidade do equilíbrio visual. Simetria Inicialmente podemos falar sobre a simetria, algo que as artes japonesas não apreciam de todo. Se desenharmos uma linha vertical sobre qualquer objeto ou figura simétrica, como um círculo; ou um quadrado, este parecerá estar "em descanso". Estático.  Como espectadores, quando colocamos a vista sobre elas, nos vamos focar unicamente no centro das figuras, e não vamos sentir movimento nelas. Artisticamente, são formas que nos transmitem equilíbrio ou estabilidade. Mas convenhamos que se podem tornar aborrecidas. Podemos perceber o que digo nes...